Mulher preta no Brasil: Desafios, Resistências e Conquistas em um país desigual
- Vitória Nunes
- 28 de nov. de 2024
- 3 min de leitura
De acordo com a PNAD Contínua 2022, cerca de 60,6 milhões de mulheres negras compõem o maior grupo populacional do Brasil, representando 28% de toda a população. Apesar de sua relevância no cenário social, político, educacional e econômico, as mulheres negras enfrentam desafios que refletem o racismo e o machismo estrutural. No Brasil, ser mulher e negra é um ato de resistência diária contra desigualdades que atravessam gerações.

Para Sônia Maria, empreendedora de 60 anos, fundadora da Igart Modas (Ateliê de costura), mãe e mulher preta empoderada, essa realidade é vivida intensamente desde jovem. “Meus pais não tinham condições de pagar a faculdade. Tive que trabalhar para ajudar a dar comida aos meus irmãos. Trabalhava e meu chefe achava que eu tinha que ser submissa, mas estava apenas pegando experiência”, relembra. Apesar das dificuldades, Sônia transformou obstáculos em aprendizado e resistência.
As estatísticas evidenciam essas desigualdades e dificuldades enfrentadas por mulheres negras. De acordo com o 18º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, meninas negras de até 13 anos são as principais vítimas de estupro no Brasil. Além disso, de acordo com a 4a edição da pesquisa “Visível e Invisível: A Vitimização de Mulheres no Brasil” - 2023, mais de 12 milhões de mulheres negras já sofreram algum tipo de violência no país, representando 65,6% das vítimas. Esse cenário se agrava no mercado de trabalho: 67% das trabalhadoras domésticas são mulheres negras (Pnad Contínua 2022), e elas recebem, em média, 35,4% a menos que mulheres não negras (2° Relatório Nacional de Transparência Salarial).
Mesmo diante de adversidades, Sônia ressalta que a educação e a autovalorização são caminhos fundamentais. “Uma mulher preta tem que ser educada, estudar, saber seu valor e seu lugar. Ter sabedoria e não agir com violência”, afirma. Ela também lembra situações de discriminação que enfrentou: “Uma colega de trabalho sempre cantava ‘nega do cabelo duro’ e dizia que eu não deveria estar lá porque era negra, feia e de cabelo duro.” Hoje, como empreendedora apaixonada pelo que faz, Sônia utiliza sua trajetória para inspirar outras mulheres. “Meu trabalho transformou a minha vida e a vida de muitas pessoas. Quando um cliente vem a mim com o sonho dele e eu entrego as peças prontas, realizo esse sonho, e isso faz a diferença na vida deles.”
Ainda assim, Sônia acredita que a luta por equidade não permite que se abaixe a cabeça. “Mudei e continuo mudando, inspirando outras mulheres e mudando vidas. Meu trabalho está me levando a lugares inimagináveis. Me sinto mais capacitada, com segurança. Sou mais autêntica.” A história de Sônia reflete a força e a resiliência das mulheres negras no Brasil. Apesar de viverem em condições sociais frequentemente desfavoráveis – como o fato de 76,07% delas estarem em habitações precárias, conforme o Observatório Brasileiro das Desigualdades – elas seguem na linha de frente das mudanças, liderando iniciativas que desafiam estruturas históricas de opressão.
A construção de um futuro mais justo exige políticas públicas eficazes e iniciativas sociais que protejam os direitos das mulheres negras, como também o fortalecimento de redes de apoio que amplifiquem vozes como a de Sônia.
Com sua determinação e trajetória, ela prova que, mesmo diante das adversidades, a resistência das mulheres negras é também uma celebração de conquistas e possibilidades. Ações de instituições como a Defensoria Pública e movimentos como o Geledés – Instituto da Mulher Negra oferecem suporte e amplificam vozes que historicamente foram silenciadas.
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